LIVRO

Seria banal dizer que o livro é o símbolo da ciência e da sabedoria; o que ele é efetivamente, por exemplo, na arte decorativa vietnamita ou na imagem ocidental do leão biblióforo.

O livro é sobretudo, se passamos a um grau mais elevado, o símbolo do universo: O Universo é um imenso livro, escreve Mohuddim ibn+Arabi. A expressão liber Mundi pertence também aos Rosa-Cruz. Mas o livro da Vida do Apocalipse está no centro do Paraíso, onde se identifica com a Árvore da Vida: as folhas da árvore, como os caracteres do livro, represemtam a totalidade dos seres, mas também a totalidade dos decretos divinos.

Os livros sibilinos  eram consultados pelos romanos nas situações excepcionais: pensavam encontrar neles as respostas divina para as suas angústias. No Egito, o Livro dos mortos  é uma coletânea de fórmulas sagradas, encerradas com os mortos na sua tumba, para justificá-los na hora do julgamento e implorar aos deuses, a fim de favorecer sua travessia dos infernos e sua chegada à luz do dia. Em todos os casos, o livro aparece como símbolo de segredo divino, que só é confiado ao iniciado.

Se o universo é um livro, é que o livro é a Revelação e, portanto, por extenção, a manifestação. O Liber Mundi é ao mesmo tempo a Mensagem divina, o arquétipo do qual os diversos livros revelados não passam de especificações, traduções em linguagem inteligível. O esoterismo islâmico distingue às vezes entre um aspecto macrocósmico e um aspecto microcósmico do livro, e estabelece entre os dois uma lista de correspondências: o primeiro é efetivamente o Liber Mundi, a manifestação emanando de seu princípio, a Inteligência cósmica; o segundo está no coração, a Inteligência individual.

Em certas versões da Busca do Graal, o livro é também identificado com a taça. O simbolismo é então bem claro: a busca do Graal é a procura da Palavra perdida,  da sabedoria suprema tornada acessível ao comum dos mortais (CORT, GUEM, GUEC, GUES, SCHC).

Um livro fechado significa a matéria virgem. Se está aberto, a matéria está fecundada. Fechado, o livro conserva seu segredo. Aberto, o conteúdo é tomado por quem o investiga. O coração é assim comparado a um livro: aberto, oferece seus pensamentos e seus sentimentos; fechado, ele os esconde.

Para os alquimistas a obra é expressa simbolicamente por um livro, à vezes aberto, às vezes fechado, conforme ela (a matéria-prima) tenha sido trabalhada ou apenas extraída da mina. Às vezes, quando este livro é figurado fechado - o que indica a substância mineral bruta - não é raro vê-le selado com sete fitas: são as marcas das sete operações sucessivas que permitem abri-lo, cada uma delas quebrando um dos selos que o fecham. Assim é o Grande Livro da Natureza, que encerra nas suas páginas a revelação das ciências profanas e a dos mistérios sagrados (FULC, 193)